Fazer terapia pra quê?


Sempre quando conheço um novo paciente e uma nova história de vida começa a se revelar diante dos meus olhos, cérebro e coração (sim, coração também!) entro em contato com essa questão que, imagino eu, pode tirar o sono de muita gente. Há pessoas que começam uma terapia porque estão sofrendo demais, outras porque se sentem perdidas e desamparadas nessa loucura chamada vida, há também aquelas que chegam ao seu limite e percebem que algo precisa mudar, dentre vários outros motivos. Enfim, mesmo às vezes pensando que não tem mais forças para lutar contra a avalanche de problemas que parecem sufocar, a pessoa vem para a terapia com a esperança de que algo vai melhorar em sua vida.
Ao meu ver isso se chama coragem. Afinal, é preciso muita coragem para vir toda semana e se abrir para um (até então) estranho que supostamente poderá lhe ajudar; é preciso muita coragem para entrar em contato com seu passado que na maioria das vezes é dolorido demais para enfrentá-lo com serenidade; é preciso muita coragem para assumir a responsabilidade de suas escolhas e digerir as consequências destas; é preciso muita coragem para encarar tudo isso sem ter certezas e garantias de que pessoa você irá se tornar depois deste processo chamado psicoterapia.
Mas quando alguém tem essa coragem um novo mundo se abre diante de seus olhos e aquilo que antes parecia impossível começa a se tornar mais palpável até que se concretize em fatos. Tudo isso só é possível porque a pessoa se dispõe a sair de sua zona de conforto e, quando isso acontece, as barreiras já não parecem tão intransponíveis e a caminhada já não é tão pesada!

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