Regras da vida

Se você encostar na tomada, levará um choque. 
Se você se molhar, ficará resfriado. 
Se você encostar na panela quente, queimará a mão.
Se você dirigir acima da velocidade permitida, será multado. 
Se você estudar, obterá boas notas.
Se você não se comportar, ficará de castigo.


O que você leu acima são regras que podem servir para direcionar o nosso comportamento, ou seja, se fizer Z a consequência será X. As regras fazem parte da nossa vida desde antes de nos reconhecermos como nós mesmos e podem nos auxiliar muito. Imagine só ter que passar por todas as experiências já vividas para, somente assim, saber como agir ou se comportar...

Contudo, as regras também podem nos prejudicar... e é sobre isso que eu gostaria de falar um pouco hoje. Quando nos apegamos demais a determinadas regras, principalmente aquelas estabelecidas pela "moral e os bons costumes", sem questionar se elas se aplicam ou não ao nosso contexto, podemos gerar grande sofrimento e sentimentos de inadequação. 

Além de todas as regras estabelecidas socialmente, criamos as nossas próprias auto-regras a partir das contínuas experiências vividas. A questão é que (ainda bem!) nem sempre nossas auto-regras corresponderão às futuras situações semelhantes mas, mesmo assim, para nós a experiência pode ter sido tão marcante que continuamos a nos comportar em função das auto-regras criadas. Como exemplo para auto-regras podemos ter: 

"Tirei nota baixa na prova e por isso eu não sou inteligente."
"As pessoas não gostam de mim porque eu sou feia."
"Nunca vou conseguir um bom trabalho, afinal eu sempre serei incompetente."
"Todas as pessoas que se aproximam de mim querem me magoar."
"Quando olham para mim é porque não aprovaram o que eu falei."
"Se ele não ligou mais, é porque eu sempre faço algo de errado!"

BrainStorm_by_Ralramahi

Eu poderia listar frases similares infinitamente e cada uma delas mereceria uma boa discussão. O problema é que, nessas situações, geralmente as pessoas criam auto-regras (baseadas em uma análise parcial e muitas vezes irreal dos fatos) que limitam as suas possibilidades e também levam a grande sofrimento. Entretanto, continuar agindo em conformidade com suas auto-regras para muitas pessoas, paradoxalmente, parece o caminho a se seguir, principalmente se esse foi o único caminho que se aprendeu. 

A psicoterapia é o espaço ideal para olhar sinceramente para essas regras e questioná-las. Será que você realmente precisa continuar agindo de acordo com o que elas ditam? Como seria a sua vida se você agisse diferente?




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