A vida está pesada?




O texto abaixo foi retirado do site da revista Vida Simples. É uma ótima reflexão e traduz de um modo simples o que em alguns casos os psicólogos buscam trabalhar com seus pacientes em um processo de psicoterapia!


"Todo mundo sofre, todo mundo passa por momentos difíceis na vida. Ninguém está livre disso. Mas, numa sociedade cada vez mais pressionada por conceitos como sucesso, parece que sofrer virou coisa de fracos. Vivemos numa ditadura da felicidade, em que é preciso estar sempre de bem com a vida. "Na TV, nas revistas, nos anúncios, todos aparecem sorrindo. Criou-se uma espécie de tirania da alegria", diz o filósofo Emilio Terron, da Associação Palas Athena e do colégio Friburgo, de São Paulo.
Com tudo isso, não é de estranhar que tentemos evitar a dor e o sofrimento a todo custo. Seja comprando carrões, fazendo psicoterapia ou conseguindo o maior número de amigos em sites de relacionamentos. Temos de seguir a lei do "seja feliz agora". Nessa busca incessante, colocamos as tristezas embaixo do tapete e nos enchemos de ansiedade, angústia e cobranças. Pouco a pouco, perdemos a noção de que sofrer é normal e pode ser de grande valia, se soubermos lidar com as dificuldades.
Solução: aprenda com o sofrimento
O sofrimento é um sinal de alerta. É como uma febre, que pode significar tanto o começo de uma gripe como uma grave infecção. Tomar um antitérmico elimina o sintoma, mas não a doença. O mesmo vale para o sofrimento emocional: são alertas de que algo incomoda. Desviar a atenção deles não vai solucionar sua causa.
Além disso, a dor emocional é uma alavanca para a solução de problemas. "O sofrimento é uma importantíssima via de transformação. Ele indica que é preciso mudar", diz o psicólogo Esdras Vasconcellos, professor da Universidade de São Paulo. A partir de um acontecimento ruim, pode-se dar uma virada para melhor. Muitas vezes não é possível enxergar a necessidade de mudança quando tudo está bem.
Muitas vezes a tristeza surge de forma tão forte, de um jeito tão insuportável que só mesmo isso para nos fazer mudar. A energia produzida pelo sofrimento, desagradável no início, pode ser o caminho de uma grande evolução. Basta não lutar contra a dor e aceitar o fato de que ela guarda um enorme potencial para nos tornar pessoas melhores.
Problema: queremos controlar o destino
Há muita gente assim, que sai do sério quando algo foge do roteiro que planejou. Enquanto tenta controlar o mundo, não vê, diante do nariz, a beleza transitória da vida. Somos todos um pouco parecidos. Alguns mais flexíveis que outros, há sempre uma hora em que, mesmo sem querer, tentamos controlar os acontecimentos ou os atos de outra pessoa, como se isso fosse nos proteger do imprevisível.
"Criamos a ilusão de que dá para adivinhar o futuro. Quando algo não segue o previsto, perdemos o eixo", diz o psicoterapeuta Arnaldo Bassoli. "Essa forma de agir traz muito peso à existência. Faz com que levemos a sério coisas que estão além do nosso controle, que não deveriam ser fonte de preocupação."
Solução: aceite o imprevisível
Um interessante conceito budista diz que o Universo é impermanente. Ou seja, que tudo muda a todo instante. "Temos de estar presentes no aqui e agora. Aceitar que o mundo se modifica continuamente é um passo importante para uma existência tranquila", diz a monja Coen, da Comunidade Zen-Budista Zendo Brasil.
Como identificar a tentativa de controle? O controlador é movido por medo e insegurança. Na tentativa de planejar e prever o dia, estamos escondendo nosso medo do desconhecido. Outra dica é analisar os pilares sobre os quais você assentou sua paz de espírito. Quem bota nos outros a responsabilidade pela própria felicidade corre grande risco de se desapontar. É fácil esquematizar o mundo, planejá-lo de acordo com nossas vontades e achar, nesse mundo virtual, o que queremos para nós. O problema é que raramente o mundo se comporta como esperamos.
Problema: damos importância demais aos acontecimentos
Todos os dias somos bombardeados por problemas. Além do sono, perdemos saúde e qualidade de vida. O psicólogo Esdras Vasconcellos realizou um estudo com cerca de 800 pacientes cardíacos do Hospital das Clínicas, em São Paulo. Submeteu todos a um questionário. Nada menos do que 94% deles responderam que levavam os afazeres do dia-a-dia a sério demais. "O corpo cobra de quem se estressa facilmente. Cada vez que nos preocupamos em excesso, descarregamos hormônios de estresse que afetam vários sistemas. Alguns desenvolvem alergias, outros, câncer. Poucos saem ilesos."
Solução: relativize os problemas
Há hoje uma ditadura do acerto, que proíbe qualquer erro. "Preocupação não nos faz sentir mais confortáveis nem favorece melhores decisões", diz Hugh Prather. "Ela tira a concentração, distorce a perspectiva e destrói o bem-estar."
Então, para dar a dimensão adequada aos obstáculos, lembre-se da única certeza em jogo: só se vive uma vez. Isso não significa jogar tudo para o alto. É possível viver mais leve mesmo diante das exigências do cotidiano. O iatista Lars Grael, por exemplo, que perdeu a perna em um acidente de barco, diz que o trauma serviu para ele aprender a botar os problemas em perspectiva. "A vida é preciosa demais para perder tempo com lamentações", diz, em seu livro A Saga de Um Campeão.
Quando surgir um fato preocupante, respire fundo. Veja se o problema tem realmente a dimensão que parece ter à primeira vista. Pode não ser simples, mas, com esforço e persistência, os problemas aos poucos ganham sua real dimensão. Lembre-se de que tudo acaba. Inclusive os problemas. Inclusive a vida.
Problema: damos muita importância a nós mesmos
Egos superdimensionados abrem espaço para muita dor de cabeça. Achamos que somos bons, que nossa opinião tem de ser escutada, que o que fazemos tem grande valor. Quando o reconhecimento esperado não vem, ficamos desapontados. O Universo parece injusto. Mas será que somos mesmos tão sensacionais?
Solução: ria de si
O medo do ridículo faz com que a gente perca um ingrediente fundamental da vida: o bom humor. Quem quer botar banca demais acaba esquecendo o quanto brincar de viver pode ser maravilhoso. Fez alguma besteira? Peça desculpas e dê uma boa risada. Não somos perfeitos. Só esse fato já tira um peso enorme das costas. Em vez de ser o melhor, tentar apenas ser autêntico é uma boa escolha. No caminho de todo mundo, sempre pode haver uma casca de banana. Cabe a nós chorarmos ou rirmos pelo tombo."

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