Uma queixa que traz muitas pessoas à psicoterapia é a ansiedade. Ao buscar ajuda é comum o desejo de "não ser mais ansioso", de "se livrar desse sentimento tão ruim" e muitas vezes paralisante. Esse apelo é muito compreensível, afinal a pessoa que busca um tratamento realmente está sofrendo com toda essa situação que gera angústia e move a busca por soluções que sejam rápidas e indolores.
Porém, o papel do psicólogo não é eliminar a ansiedade do paciente através de técnicas ou qualquer outro procedimento "milagroso". E isso realmente frustra... mas o psicólogo pode ajudar a pessoa a entender quais situações desencadeiam esses sentimentos paralisantes, bem como novas formas de LIDAR com essa ansiedade. Escrevi o lidar com letras maiúsculas pois vivemos numa cultura que tende a negar e suprimir qualquer sentimento que pareça inadequado ou gere algum desconforto. Paradoxalmente, quanto mais se tenta eliminar a ansiedade, mais "o bicho cresce".
Parte do processo de psicoterapia é ajudar na compreensão de que a ansiedade (e qualquer outro sentimento "ruim" ou não), faz parte da vida. Vivemos e por isso experienciamos uma gama muito complexa de sentimentos que estão conectados a nossa história de vida e não podemos simplesmente anulá-los. Ao reconhecer e aceitar, podemos então aprender novas formas de enfrentamento que favorecem a autonomia e a sensação de estar no comando de sua vida APESAR DA ANSIEDADE.
Assim, conseguimos olhar para esse sentimento de outro perspectiva, ele já não é o monstro que domina a casa toda. A pessoa se sente capaz (o que é essencial para o progresso no tratamento) de enfrentá-lo e colocá-lo em seu devido lugar.

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